domingo, 25 de outubro de 2009

E OS GUAPURUVUS DA CAVALHADA?

Porto Alegre, 25 de outubro de 2009.

Carta aberta ao Prefeito e aos Amigos da Natureza:


Quando vim morar no bairro Cavalhada, eles já estavam lá, altaneiros, protetores. Pássaros gorjeavam em seus galhos alegrando a vida; serviam de nicho a inúmeras espécies, e protegiam-nos do calor ao caminharmos pela Avenida Cavalhada e, aos que transitavam de carro, proporcionavam lenitivo. Guapuruvus, últimos resquícios da Mata Atlântica, árvores que nos tornam viva a lembrança de que um dia ela esteve aqui.


E esta semana ao levantar onde estavam sete Guapuruvus, arrancados na calada da noite, deixando sete buracos e hoje, após a noite de chuva de ontem, fáceis de arrancar, nem as raízes restam mais para afirmar que ali havia sete Gapuruvus, que compartilhavam conosco a vida do bairro.


Quem pode ter perpetrado tal crime ambiental? Com que direito interferir na identificação e na vida de uma comunidade?


Hoje os pássaros trinam apavorados pois sua “casa” desapareceu e eles não sabem onde se refugiar. Hoje o bairro não é mais o mesmo pois a alma se constrangeu: da ponta onde termina a Cel. Massot até a Dr. Barcelos sete Guapuruvus não mais lá estão. E a gente se pergunta: o que fizeram para ter tão triste fim? Ou será que foram para locais onde serão mais felizes do que aqui onde o amávamos e o admirávamos com seus braços que se erguiam como num cálice em hino ao criador, oferecendo-lhes flores com suas pétalas amarelas, símbolo da alegria, chamando ao encontro às espécies que aqui se acasalavam. E suas sementes escuras, trazendo em seu interior o presente máximo da espécie envolta numa película delicada e translúcida de madeira, a semente do Guapuruvu, tão conhecida por nossas crianças como o “queima-queima”.


Se as coisas continuam deste jeito em pouco tempo não teremos mais nenhum bairro caracterizado com suas árvores que têm persistido o mais que podem contra o ataque do homem, a quem só bem têm feito. Pensem, se a prefeitura resolvesse retirar os jacarandás da praça da matriz que perda também para o patrimônio público. Pois, assim como defendemos o patrimônio histórico de Porto Alegre, mantendo as características dos prédios que outrora foram, muito mais devemos defender o patrimônio vivo, resguardando os últimos resquícios daquela que é a nossa mãe natureza.


Por favor, senhor prefeito, devolva a identidade de nosso bairro, devolva os nossos sete Guapuruvus! Conserve viva a lembrança daquilo que foi importante um dia para os indígenas e seres que aqui moraram muito antes de nós, conservando as últimas espécies características da Mata Atlântica.

Marilia Nuñes – PV/PORTO ALEGRE/RS



Um comentário:

REDE Os Verdes de Tapes/RS disse...

Veja notícia de 19/08/2005 Site Prefeitura

MEIO AMBIENTE
Obra irregular ocasiona retirada de árvores
A empresa de telefonia Brasil Telecom realizou a instalação sem licença ambiental de dutos subterrâneos no canteiro central da Avenida Cavalhada, incluindo a poda drástica das raízes de cinco guapuruvus, plantados há cerca de 30 anos. Em razão disso, quatro árvores terão que ser removidas pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Smam), já que sem as raízes passam a representar risco iminente de queda.

“Em função da espécie, teremos que fazer as remoções, já que os guapuruvus plantados no canteiro central não têm condições de expandir suas raízes até a projeção da copa, já ficando fragilizados. Com o corte, a falta de equilíbrio passa a representar um perigo àquela avenida, que é de fluxo intenso”, explica o secretário do Meio Ambiente, Beto Moesch.

A empresa recebeu dois autos de infração. Um por ausência de licenciamento ambiental e outro por poda drástica. O cálculo do valor da multa será feito após a apresentação da defesa, no prazo de 20 dias.

Nossa Companheira e Verde Marilia Nunes fez um relato do lamento que será para os pássaros a falta destas árvores.
Abraços Guerreira!
Júlio Wandam
Os Verdes de Tapes