sexta-feira, 18 de maio de 2012

"Não podemos nos furtar de apresentar o PT como a melhor alternativa política para a cidade"

Na foto: Adeli Sell, Marco Aurélio Garcia, Rui Falcão, Adão Villaverde, Tarso Genro e Olívio Dutra
Em resposta à matéria “Villaverde pressionado a desistir”, publicado na edição desta sexta-feira pelo jornal Zero Hora, o PT de Porto Alegre reafirma que “não existe nenhuma possibilidade de o partido recuar da sua decisão, tomada em dezembro de 2011, de apresentar candidatura própria nas eleições de 2012”.

Nosso partido nasceu para disputar e conquistar o poder. Seu programa, desde a fundação, apresentou esta perspectiva, traduzida em propostas políticas em cada embate. Tanto nas disputas do movimento social como nos processos eleitorais institucionais em todos os níveis.

Com o cenário praticamente consolidado, com duas pré-candidaturas não-petistas apresentadas por partidos da base de sustentação estadual, reafirmamos a necessidade do PT ser protagonista na eleição de 2012 em Porto Alegre, o que significa ter candidatura própria e, a partir dela, buscar partidos aliados. O que já temos feito, pois já se somaram a nós duas outras legendas: PV e PPL. Esta opinião está em consonância com os debates já realizados pelos filiados no diretório municipal e diretórios zonais do partido.

Ontem à noite, durante jantar de encerramento do Seminário Nacional do PT, reafirmamos, na presença de quatro lideranças que já estiveram ou ainda estão na presidência do Partido em nível nacional – Marco Aurélio Garcia, Olívio Dutra, Tarso Genro e Rui Falcão – nossa pré-candidatura em Porto Alegre. Compartilhamos a mesma opinião de que não podemos nos furtar de apresentar o PT como a melhor alternativa política para a cidade. Não exercer o nosso protagonismo é negligenciar com a expectativa em nós depositada por expressiva parte da cidade. É abandonar nossa militância, filiada ou não ao partido.

Entendemos que a história e o capital político do maior partido presente em Porto Alegre construído ao longo dos anos por sua aguerrida militância não pode ser desprezado. Estamos no 3º mandato da Presidência da República, 2ª gestão do governo do Estado, 16 anos à frente da prefeitura desta cidade e com pelo menos 22% de aprovação partidária. O PT tem projeto e tem um nome com plenas condições de representar a nossa visão de cidade, de disputar e vencer a eleição de 2012.

O momento é de afirmação e construção e não da criação de falsas verdades que travem a discussão. Acreditamos na imantação da militância, na história do nosso pré-candidato e na aprovação do nosso partido. Porto Alegre também tem o direito de voltar a ser do Rio Grande do Sul, do Brasil, do Mundo. E o PT deve ser o protagonista desse processo, com candidatura própria, junto com aliados de peso e um programa de governo que represente a nossa história, nossa visão de cidade e tenha a capacidade de se renovar.

Adeli Sell
Presidente do PT em Porto Alegre

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Por iniciativa do vereador Adeli Sell, médicos da Câmara Municipal são cadastrados no IPE

Na foto: o vereador Adeli Sell, o presidente do IPE, Valter Morigi, e os funcionários da Casa
O diretor-presidente do Instituto de Previdência do Estado do RS, Valter Morigi, oficializou na tarde desta quinta-feira (17/5), na presença dos vereadores Adeli Sell, proponente da iniciativa, e Mauro Zacher, presidente da Câmara Municipal, o cadastramentos dos médicos da CMPA no IPE. Essa era uma antiga demanda dos médicos que fazem atendimento diário no ambulatório da Câmara Municipal de Porto Alegre(CMPA) e dos servidores conveniados ao IPE.

O gabinete do vereador Adeli Sell estava tratando do tema desde janeiro, quando foi procurado pela chefe do ambulatório, dra. Rosa Cristina Machline Harzheim. "Estamos muito felizes de poder proporcionar isso aos nossos servidores. Agora, os funcionários da Câmara que forem atendidos no ambulatório e que tiverem IPÊ já podem sair de suas consultas com o encaminhamento para os exames necessários, possibilitando assim o diagnóstico e tratamento aqui mesmo pela Casa", frisou Adeli.

Conforme dra. Rosa, com o cadastro, os médicos da Casa poderão agilizar procedimentos e dar continuidade ao atendimento e tratamento dos funcionários. "Essa ação vai beneficiar os colaboradores e os profissionais, através de um serviço mais completo e, consequentemente, com mais qualidade".

O dirigente do IPERS, Valter Morigi, observou que o cadastramento estava na agenda de  ações do IPE, desde o ano 2011. Ele justificou que o atendimento só aconteceu agora "em função de período de transição de diretores e readequação de áreas" da instituição estadual.

Assessoria Gab. Ver. Adeli Sell

Presidente Municipal do PT, vereador Adeli Sell participa do Seminário Nacional do PT

Adeli saudou os participantes na abertura do evento
Oficinas temáticas abriram ontem (16.05) o Curso de Programa de Governo do PT, que está sendo realizado em Porto Alegre. Diversos painéis trataram de temas como Igualdade Racial, Economia Solidária, Esporte, Meio Ambiente, Juventude e Mulheres. O vereador integrou o grupo da Promoção de Igualdade Racial, que debateu questões sobre como fortalecer e unificar o discurso do combate à discriminação social em um país tão grande e com tantas diferenças culturais como o Brasil. Desigualdades regionais e problemas enfrentados pelos representantes de cada cidade foram expostos e discutidos em busca de soluções.

Adeli acompanhou a discussão ao lado da
Secretária Nacional de Combate ao Racismo, Cida Abreu
Segundo a Secretária Nacional de Combate ao Racismo, Cida Abreu, esses encontros são importantes para a aproximação das lideranças do partido. Durante a reunião ainda foram discutidas questões ligadas à igualdade racial, como as políticas de saúde pública,  em especial voltadas para a mulher. Representantes de diversos municípios discutiram propostas e ações para diminuir a discriminação às cidades menores, onde o problema é mais latente.

À noite, durante a abertura oficial do evento, Adeli acompanhou a palestra proferida pelo marqueteiro João Santana, coordenador de marketing das campanhas do ex-presidente Lula, e da presidente Dilma Rousseff. Santana é conhecido por ser um dos grandes nomes do marketing político do Brasil, requisitado em diversos países para elaborar programas de marketing para políticos em campanha.

Em sua palestra, Santana falou aos coordenadores de campanha petistas de vários estados sobre a importância do trabalho de marketing político eleitoral bem-feito. "A política depende profundamente da comunicação e, no Brasil, antes se disse que todo mundo era um pouco técnico de futebol. Hoje se diz que é um pouco de marqueteiro político", brincou. O seminário tem continuidade no dia de hoje, com destaque para a participação do presidente nacional do PT, Rui Falcão, e do governador Tarso Genro.

Adeli esteve reunido com as lideranças do PT de Cachoeirinha
Adeli com a  Secretária Nacional de Mulheres do PT Laisy Morieri
Adeli e Jefferson Lima, Secretário Nacional da Juventude do PT

Adeli Sell e Margarete Moraes com o ator Sergio Mamberti, militante petista da área da cultura


Por Tatiana Feldens, Asscom PT-POA

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Reunião da Comissão de Habitação é esclarecedora e agrada aos moradores da Vila Silva Paes

A Comissão de Habitação/SECOPA, comandada pelo assessor do vereador Adeli Sell, Michael Santos, reuniu dezenas de famílias ontem à noite para informar sobre os andamentos das obras e a abertura do procedimento para a disponibilização do Bônus-MoradiaParticiparam da reunião os Srs. Cleber, Estevão e Rodrigo, que representaram o Governo Municipal.
Na ocasião, foram apresentados os locais onde serão construídos os novos 1.500 apartamentos provenientes ao Bônus-Moradia. Os imóveis estarão localizados nos seguintes logradouros: Rua Comandai (272 unidades), Rua Upamoroti, Rua Jaguari (120 unidades), Rua Pedro Boticário (150 unidades), Rua São Miguel (100 unidades), Rua Intendente Azevedo, Rua Gal. Jonathas Borges (100 unidades), Av. Carlos Barbosa (83 unidades), Rua Banco de Província (56 unidades), Rua Mutualidade (224 unidades), Rua Cleveland, Rua Santa Cruz (160 unidades), Rua Silveiro (150 unidades) e Rua Cai (120 unidades).


Para Sandra Argenti, moradora e integrante da Comissão de Habitação da Grande Cruzeiro, o encontro foi muito proveitoso e esclarecedor. A reunião encerrou-se com intensa salva de palmas dos moradores, como aprovação e reconhecimento ao êxito do evento.

Alysson Mainieri
Estagiário de Jornalismo
Gab. Ver. Adeli Sell


terça-feira, 15 de maio de 2012

Diálogos com Porto Alegre ouve reivindicações da direção do Hospital Parque Belém

O presidente do HPB, Luiz Augusto Pereira recebeu Villaverde e Adeli Sell para um café da manhã
Dando prosseguimento aos Diálogos com Porto Alegre, o deputado e pré-candidato do PT Adão Villaverde visitou na última sexta-feira (11.05), junto com os vereadores Adeli Sell e Engenheiro Comassetto, a direção do Hospital Parque Belém, na Zona Sul de Porto Alegre. Na oportunidade, os parlamentares foram recebidos pelo presidente do HPB, Luiz Augusto Pereira e pelo diretor Afrane Serdeira juntamente com o vice-presidente do Conselho Deliberativo, Artur Benedito Pereira Filho, que apresentaram ao pré-candidato petista as dificuldades enfrentadas pela Instituição.

Conforme Pereira, a visita de lideranças políticas realça o que representa a instituição de saúde para a comunidade e gestores públicos. “O objetivo deste encontro foi mostrar que estamos tentando, com muito esforço e, poucos recursos, revitalizar o HPB e principalmente, solicitar, em nome de toda a diretoria, que políticos façam a interfase junto aos governos municipal, estadual e federal para ‘desatarmos os nós’ em relação à liberação de recursos que estão ‘amarrados’ em Brasília e em outras esferas de Governo e que são necessários para que o hospital volte a ser referência no atendimento de excelência às comunidades, especialmente para os mais carentes de serviços médicos hospitalares Sempre atenderemos beneficiários do Sistema Único de Saúde (SUS)”, ressaltou Luiz Augusto Pereira.


Os vereadores Adeli Sell e Engenheiro Comassetto com
a direção do Hospital
Tornar o HPB em Pronto Socorro da Zona Sul é um pleito antigo, mas, no momento parece inviável pelo alto custo e a falta de verbas para contratação de médicos de áreas especializadas para o atendimento. “O que pode ser feito imediatamente, é conseguirmos reativar o Pronto-Atendimento, denominado pelo Ministério da Saúde de ‘Porta de Entrada das Emergências’, serviço reivindicado pela comunidade. É a vocação da instituição, que integra clínicos e especialistas”, explicou Pereira.

O deputado Adão Villaverde visitou as dependências do hospital e destacou o amplo espaço físico e parabenizou a atual diretoria pelas melhorias que estão sendo feitas. Comprometeu-se em ajudar através de reuniões com as bancadas de deputados federal, estadual e secretários estadual e municipal da Saúde, com o intuito de agilizar a liberação de verbas necessárias para manter a estrutura funcionando, corpo médico e a aquisição de novos equipamentos.

Segundo o vereador Adeli Sell, o HPB é um exemplo de dedicação à saúde pública, há muito tempo e, as dificuldades enfrentadas para manter toda a infraestrutura e os mais de quatrocentos funcionários, é uma missão difícil para os gestores. “Vamos dialogar com a secretaria municipal da Saúde e salientar ao secretário Marcelo Bósio sobre a importância da reabertura do Pronto-Atendimento para a zona Sul da cidade, pois é uma reivindicação da comunidade”, afirmou o Adeli.

Já o vereador Comassetto disse que o encontro só fortalece o diálogo entre membros do HPB, políticos e os integrantes da Câmara Técnica, formada pela comunidade local e que tem como objetivo fiscalizar todos os serviços do HPB.

Capacidade
O Hospital abriga atualmente 199 Leitos. Atende, em média, 452 internações mensais pelo SUS ; 100 internações convênio/Particular ; realiza em torno de 200 cirurgias  e 17.000 exames laboratoriais. Como atualmente o percentual de Atendimentos pelo SUS não passa de 80%, o objetivo da Instituição é disponibilizar o atendimento integral pelo Sistema Único de Saúde.

CEF
Há dias atrás o vereador Adeli Sell havia visitado as dependências do hospital, a pedido do médico nefrologista João Biernat. Adeli conseguiu encaminhar junto à superintendência da Caixa Econômica Federal (CEF) a renegociação dos juros de um empréstimo contraído pelo Hospital com a CEF. O vereador também apresentou ao deputado federal Paulo Ferreira as dificuldades da instituição e a necessidade de acessar programas federais do Ministério da Saúde bem como a possibilidade de criação de emendas parlamentares. “O HPB passa por uma fase de melhorias das instalações e aquisições de novos equipamentos. Estou engajado na busca por soluções”, disse o vereador.

A visita teve como objetivo iniciar um processo de negociação entre o hospital da Restinga Moinhos de Vento e o HPB, visando a complementaridade de serviços prestados ao SUS. Para o presidente do Sanatório Belém trata-se do início de uma parceria que trará efetivo benefício à população, pois o HPB poderá servir de retaguarda na alta complexidade de neurocirurgia e traumato/ortopedia considerando que o hospital da Restinga não atenderá alta complexidade nestas especialidades. “Nossas propostas são complementares. A definição depende muito mais dos gestores públicos do que dos gestores dos hospitais”, concluiu  Pereira.

Por Tatiana Feldens, com Cleber Moreira
Gab. Ver. Adeli Sell

PT e Bancada de Vereadores lançam Boletim Informativo sobre as deficiências da saúde em Porto Alegre






segunda-feira, 14 de maio de 2012

Adeli confere de perto sinalização das obras do Pisa no Guaíba. "Fomos todos enganados", admite o vereador.

Adeli Sell conversa com o Rogério Schröder, Diretor Executivo
da Nautiwaye que há anos navega pelo Guaíba
No último sábado (12.05), a convite de um grupo de pessoas que navegam pelo Guaíba, o vereador Adeli Sell foi conferir de perto a sinalização das obras do Programa Integrado Socioambiental (Pisa). A visita ocorreu poucos dias após a reunião realizada pela Comissão de Urbanização, Transportes e Habitação (Cuthab) da Câmara Municipal de Porto Alegre, na qual o delegado da Capitania dos Portos do Rio Grande do Sul, capitão-de-fragata Jayme Tavares Alves Filho garantiu que os bancos de areia resultantes das obras estavam adequadamente sinalizados, e, portanto não ofereciam riscos para a navegação e as atividades náuticas no Guaíba.

“Fomos todos enganados. Colocar meia dúzia de taquaras não é sinalização que se possa levar em conta”, opinou o vereador, para quem Porto Alegre segue com enormes bancos de areia criados em área de tráfego intenso de embarcações sem a devida sinalização. “Se houve ‘aviso aos navegantes’ foi tão pífio esse comunicado que todas as pessoas consultadas sequer sabiam. Isto é grave vindo de autoridades constituídas”, acrescentou Adeli.

Marco Antonio Braun, diretor administrativo da Microcontrol, que costuma navegar pelo Guaíba com sua lancha, concorda com o Adeli ao afirmar que a sinalização da Marinha resume-se a “estacas de madeiras que à noite dificilmente conseguimos ver”. Na avaliação do grupo, as obras influenciaram na rota de navegação, principalmente na raia próxima ao clube Jangadeiros do Sul. Antonio Augusto Cademartori Ilha, da Associação Riograndense de Jet Ski, mostrou fotos tiradas por ele caminhando sobre os bancos de areia. Segundo ele, a forma como as obras vêm sendo feitas desrespeita o direito de ir e vir das pessoas que desfrutam do lago diariamente.

O vereador foi recebido pelo grupo na Marina da Conga
“Como vereador desta cidade, vou lutar pela garantia da navegabilidade do Guaíba. A prefeitura tem a obrigação de informar e sinalizar adequadamente sobre a existência dos bancos aos navegantes”, sustentou o vereador. “Vamos nos comunicar com os clubes náuticos e com os navegadores e fazer um movimento junto ao prefeito, ao governo do Estado e com a presidência da República, já que seus subordinados não estão cumprindo com a sua missão”, finalizou Adeli.

Revitalização do Cais Mauá
Outra preocupação do grupo diz respeito ao projeto de Revitalização do Cais Mauá, proposto pelo arquiteto e urbanista Jaime Lerner. Segundo os lancheiros, o projeto não prevê qualquer atracadouro para particulares nas proximidades do Gasômetro. “Isso é inconcebível”, na opinião de Braun, já que mais uma vez as pessoas serão impedidas de chegar à cidade pelo Guaíba. “Duvido que as pessoas não gostariam de ver lanchas e pequenos barcos atracados no Cais. Isso seria bom para todos. Para nós que navegamos no Guaíba e para as pessoas que procuram ver e fotografar os barcos”, disse ele.

Por Tatiana Feldens, (reg. Prof. 13654)
Gab. Ver. Adeli Sell

sexta-feira, 11 de maio de 2012

O PT não pode se acomodar - Por Olívio Dutra (*)

Reunião da Coordenação do Diálogo Petista, 4 de novembro de 2011(**)

Sempre fui desvinculado organicamente de estruturas políticas antes e, depois, dentro do PT. Não reivindico isso como virtude, mas não é tampouco um defeito, talvez uma limitação. Venho da vertente sindicalista que ajudou a fundar o partido.

Um balanço do PT, como partido de esquerda, socialista e democrático, tem de vê-lo como parte da luta histórica do povo brasileiro, em especial dos trabalhadores, na busca de ferramentas capazes não só de mexer mas de alterar a estrutura de poder do Estado e sociedade brasileiros marcada por privilégios baseados no enorme poder político, econômico, cultural de uma minoria. O PT nasceu para lutar por uma sociedade sem explorados e sem exploradores e radicalmente democrática.

Antes do PT, ainda no século XIX, surge o PSB, o primeiro partido de esquerda do Brasil republicano. O movimento operário anarquista das primeiras décadas do século xx era avesso à idéia de um partido. O PC surge em 1922. O PT aparece numa conjuntura de enorme agitação política reprimida por uma ditadura militar, fruto do golpe de 1964 que recompôs as elites contra um populismo que já não controlava mais as lutas sociais.

Este populismo, iniciado por Vargas e que inspira Jango e Brizola, era dirigido por gente ligada ao latifúndio “esclarecido”, um pouco na tradição dos republicanos gaúchos- Julio de Castilhos, Borges de Medeiros – que compartilhavam a idéia de que política não é para qualquer um, que o povo precisa de alguém que o cuide.

O PT nasceu com a idéia de que o povo devia ser o sujeito de sua história, o que marcou os seus primeiros passos. Mas, à medida que conquistou mandatos em vários níveis, a coisa foi ficando “osca”, suas convicções e perspectivas foram perdendo nitidez. Houve uma acomodação na ocupação das máquinas institucionais (inclusive no Judiciário).

Diante desse processo o PT não se rediscutiu, não discutiu os efeitos dessa adaptação à institucionalidade de um Estado e de uma sociedade que, para serem democráticos, precisam ser radicalmente transformados.
Assim, o PT cresce quantitativamente – em 2011 temos três vezes mais diretórios municipais, passamos de mil a 3 mil, em função de eleições e do fato de o partido estar no governo federal e em governos estaduais, municipais, além de ter eleito centenas de parlamentares nos três níveis de representação.

E, bem mais que as idéias ou mesmo o programa, o que mobiliza o partido, ultimamente, são as eleições internas e externas. Somos todos responsáveis por isso: a política como um “toma lá, dá cá”, confundindo-se com negócios, esperteza, e a idéia de tirar proveito pessoal dos cargos públicos conquistados. E tem gente chegando ao partido para isso, favorecidos pelo discurso da governabilidade mínima com o máximo de pragmatismo político.

Mesmo com os dois mandatos de Lula, demarcatórios na história de nosso país,o Estado brasileiro não foi mexido na sua essência. O 1º mandato foi de grande pragmatismo, onde a habilidade de Lula suplantou o protagonismo do Partido e garantiu, para um governo de composição, uma direção, ainda que com limites, transformadora da política. A política de partilhar espaços do Estado com aliados políticos de primeira e última hora de certa forma já vinha de experiências de governos municipais e estaduais mas ali atingiu a sua quinta essência. No 2º mandato, ao invés de o PT recuperar o protagonismo, diluiu-se mais um pouco, disputando miríades de cargos em todos os escalões da máquina pública.

Quanto à Dilma, ela é um quadro político da esquerda. Seu ingresso no PT, honroso para nós, não foi uma decisão fácil para ela, militante socialista do PDT e sua fundadora.

O PDT estava no governo da Frente Popular (PT, PDT, PSB, PC, PC do B) no RS. Veio conosco no 2º turno. No 1º turno sua candidata tinha sido a ex-senadora Emilia Fernandes. A relação do Brizola com o PT e com nosso governo nunca foi tranqüila. Tive de contornar demandas descabidas para criar secretarias para abrigar pessoas de sua indicação. Lembro o quanto lutamos pela anistia e volta dos exilados ainda durante a ditadura. Ocorre que em 1979, quando Brizola voltava do exílio, nós, os bancários de Porto Alegre – eu era presidente do sindicato da categoria – estávamos em greve. Caiu a repressão sobre nós com intervenção no sindicato e prisão de lideranças. Brizola permaneceu em São Borja no aguardo de que, com a prisão dos dirigentes, a greve acabasse. Veio até Carazinho, mas como a greve, apesar da repressão, não terminara, voltou para São Borja. A categoria tinha a expectativa que ele, pelo menos, desse uma declaração contra a repressão ao movimento. Não se manifestou.

Quando do governo da Frente Popular, em decorrência de o PT e PDT terem candidaturas opostas à Prefeitura de POA (nosso candidato, eleito, foi o Tarso Genro), Brizola, como presidente nacional do PDT, fez pressão para que trocássemos os secretários pedetistas ligados ao “trabalhismo social”: Dilma, Sereno, Pedro Ruas e Milton Zuanazzi, caso contrário o PDT deixaria o governo. Não concordamos. Eles foram mantidos nos cargos e com plena liberdade para se decidirem sobre sua vinculação partidária. Todos eles travaram uma discussão intensa nas instâncias do PDT e deliberaram desfiliarem-se e, posteriormente, após nova discussão interna, desta vez nas instâncias do PT, filiarem-se ao nosso partido. A Dilma, à época em que reabrimos a negociação sobre os subsídios, favores tributários e renúncia fiscal para a Ford, estava ainda no PDT e, como Secretária de Minas e Energia do nosso governo, participou da construção da decisão que, séria, responsável e republicanamente tomamos. Sua postura determinada nessas e em outras circunstâncias têm o nosso reconhecimento, respeito e admiração.

Ela tem clareza sobre como funciona o Estado e como deveria funcionar, sob controle público, para ser justo, desenvolvido e democrático mas, a composição do governo é um limitador e ela não vai poder alterar as estruturas arcaicas e injustas do Estado brasileiro, coisa que o próprio Lula, com toda sua historia vinculada às lutas sociais da s últimas décadas, não conseguiu fazer. Para mexer nisso, tem que ser debaixo para cima!

Então aí está o papel do partido que não pode se acomodar. Nós, petistas, nos vangloriamos de feitos em prefeituras, governos estaduais e no federal. Mas, criamos mais consciência no povo para que se assuma como sujeito e não objeto da política?

Nas eleições fala-se em “obras” e não se discute a estrutura do Estado, como e quem exerce o poder na sociedade e no estado brasileiro, os impostos regressivos para os ricos e progressivos para os pobres, as isenções, os favores tributários, a enorme renúncia fiscal. Tem prefeitura do PT que privatiza a água, aceitando o jogo do capital privado e a redução do papel do estado numa questão estratégica como essa.
O PT não se esgotou no seu projeto estratégico, mas corre o risco de se tornar mais um partido no jogo de cena em que as elites decidem o quinhão dos de baixo preservando os privilégios dos de cima. Nosso partido tem de desbloquear a discussão de questões estruturais do estado e da sociedade brasileira da disputa imediata por cargos. Essa discussão deve ser feita não apenas internamente, mas com o povo brasileiro.

Realizar Seminários onde se discuta até mesmo o papel e o estatuto das correntes internas. Seminários com os lutadores sociais para discutir como um o partido com nossa origem e compromisso pode governar transformadoramente sem se apequenar no pragmatismo político.

A lógica predominante, diante das eleições do ano que vem, é de governarmos mais cidades, mas qual a cidade que queremos? A imposta pela indústria automobilística, desde os tempos de JK, com ferrovias privatizadas e sucateadas e o “rodoviarismo” exigindo que o espaço urbano se esgarce e se desumanize para dar espaço para o automóvel particular? Onde as multinacionais se instalam com as maiores vantagens do mundo e as cidades viram garagens para carros, onde túneis, viadutos e passarelas, cuja capacidade se esgota em menos de 10 anos, tecem teias de concreto que mais aprisionam do que libertam o ser humano?
O PT deve refletir sobre suas experiências de governar as cidades. São muitas e nenhuma definitiva. O Orçamento Participativo não foi radicalizado ao ponto de ser apropriado pela cidadania como ferramenta sua para controle não só de receitas e despesas, verbas para obras e serviços, no curto prazo, mas sobre a renda da cidade, sua geração e o papel do governo na sua emulação e correta distribuição social, cultural, espacial, econômica e política. O Orçamento Participativo tem que ser pensado não como uma justificativa para a distribuição compartilhada de poucos recursos, mas como gerador de cidadania capaz de, num processo de radicalidade democrática crescente, encontrar formas de erradicar o contraste miséria/riqueza do panorama de nossas cidades.

A crise econômica mundial está longe de ser debelada e os países ricos têm enorme capacidade de “socializar” o pagamento dela com os países pobres. No chamado Estado de Direito Democrático o ato de governar é resultado de uma ação articulada e interdependente entre os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Ocorre que na sociedade capitalista o Poder Econômico, que não está definido na Constituição, é tão poderoso e influente quanto todos aqueles juntos. Portanto, a confusão entre governo e esse poder “invisível” privatiza o Estado e é caldo de cultura para a corrupção.

Como presidente de honra do PT-RS, tenho cumprido agenda partidária, fazendo roteiros, visitando cidades, participando de atos de filiações, ouvindo as lideranças de base e discutindo o PT. Sinto-me provocado positivamente com esta tarefa.

Mas na estrutura que existe hoje o Partido é cada vez mais dependente, inclusive financeiramente, dos cargos executivos e mandatos legislativos que vem conquistando. É difícil, pois, uma guinada, sem que haja pressão debaixo para cima sobre as direções, correntes, cargos e mandatos. Assim como está o PT vai crescer “inchando”, acomodando interesses. A inquietação na base quanto à isso ainda é pequena mas é sinalizadora de que a luta para que o PT seja um partido da transformação e não da acomodação vale a pena.

(*) Texto revisado pelo autor.
(**) O Diálogo Petista é um agrupamento de militantes petista de diversas origens e trajetórias que tem em comum a preocupação de manter vivos os princípios de independência de classe e de luta pela soberania nacional que estiveram na base do surgimento do PT.

Pedro Osório fala sobre as dificuldades financeiras da Fundação Piratini durante Almoço Temático no PT


A Nova TVE e a democratização da comunicação foi o tema da última edição do Almoço Temático, realizado quinzenalmente pelo Partido dos Trabalhadores de Porto Alegre na sede municipal. O diretor-presidente da Fundação Piratini, Pedro Luiz da Silveira Osório foi o palestrante da atividade, mediada pelo dirigente municipal do PT, vereador Adeli Sell.

Falando para um público heterogêneo, formado em sua maioria por militantes, lideranças políticas, profissionais da comunicação e quadro técnico da Instituição, Osório fez um breve diagnóstico da Fundação, que segundo ele, está sucateada e operando com 40% do quadro previsto de servidores. “Nos últimos anos, durante a transição tecnológica, não foram feitos investimentos”, lamentou. Segundo ele, os equipamentos não foram substituídos para enfrentar essa nova fase. “Precisamos literalmente de uma estação nova para podermos transmitir por sinal digital”, afirmou.

Osório contou que quando assumiu a Fundação encontrou pessoas desmotivadas, dívidas junto ao Ministério Público do Trabalho no valor de R$ 43 milhões, equipamentos com tecnologia ultrapassada, ambiente deteriorado e falta de investimentos. “Detectamos também deficiência de gestão, conteúdo editorial em parte terceirizado, falta de promoção dos programas da emissora, defasagem na Internet e ausência nas redes sociais”.

Sobre o quadro de funcionários, admitiu que é insuficiente. “Muito do que temos hoje devemos à dedicação dos poucos servidores que restam”. Ele comunicou que o Estado está fazendo a reposição de 59 funcionários pelo período de dois anos. “Hoje operamos com 1/3 dos servidores, mas estamos organizando um concurso público para os próximos anos.”

Ações
Os problemas aos poucos foram sendo solucionados. Após acordo judicial com o MPT, a Fundação conseguiu reduzir a dívida de R$ 43 milhões para R$ 223 mil, a serem permutados por mídia. Outra ação tomada por Osório diz respeito à gradual retomada da rede de retransmissores da TVE pelo Estado, aliado ao retorno das tratativas para a rede da FM Cultura com rádios no interior.

A equipe também está reformulando os programas, promovendo estréias e aumento significativo de horas da programação na rádio e na TV, especialmente no que diz respeito à área jornalística. A valorização dos servidores, o reajuste salarial com índices inéditos e a retomada de treinamentos e parcerias com instituições de ensino estão sendo providenciados.

A área física da fundação foi reestruturada. “Hoje temos novas mesas e cadeiras, estúdios da rádio recuperados. Consertamos as centrais de ar condicionados e criamos novos espaços para terceirizados”, informou.

O grande desafio para o futuro será migrar a TVE para o sistema digital. Isso implicaria num investimento de R$ 15 milhões. “A lei determina a migração até o final de 2013, sob pena de perdermos o sinal. Não temos saída”, explicou Osório. A programação da TVE também será alterada. Estão previstos novos projetos, transmissão com libras, cenários e vinhetas reformuladas.

Por Tatiana Feldens, Asscom PT-POA

Artigo Adeli Sell - O enigmático mundo das mães visto por um homem que as admira

Diariamente, entre um olhar e outro eu as observo maquinando. Como mulheres e ativas que são, estas garotas argumentam, despacham, decidem, ordenam e monitoram suas crias. Sim, são verdadeiras sentinelas que entre desafios, computador e papeis, acompanham, ainda que à distância, seus filhos e filhas e suas façanhas de crescerem rumo à independência.

Ah o enigmático mundo das mães visto por um homem que as admira e as teme. Elas me encantam: as vejo umedecer os olhos quando testemunham suas experiências ou partilham as conquistas dos filhos. Elas me assustam: as vejo fazer juras de castigo e tiranias educativas aos rebentos adolescentes insurgentes. São negociadoras cheias de artimanhas, ganham as discussões com expressão de vítimas ou filantropas. São capazes de sentir que seus filhos ou filhas estão em situação de perigo. Elas são mágicas!

Às vezes, por uma distância segura, eu posso escutar em meu gabinete as trocas e aconselhamentos para cada ocorrência maternal. Isso tudo, como já disse, entre papeis, processos, sonhos, projetos e muito trabalho. É claro que eu torço junto, sofro junto e vez que outra me permito palpitar, discreto, sem muito destaque.

Só os olhares opinativos já me deixariam em posição desfavorável. Em se tratando de mães e sentimentos, elas reinam sozinhas. Cada uma sabe a dor de se fazer em mil papeis. Cada uma sabe as dificuldades de educar nas adversidades de hoje, de cuidar à distância e de amar com culpa.

Uma das características que me fascinam nas mães é a ternura e a firmeza com que lidam com temas variados de seus filhos e suas peripécias. Uma capacidade de absorver assuntos tão diversos e de todos os níveis de complexidade. É um perfil digno de topo, de quem evolui nas organizações.

Mas ainda diferente do que desejo, eu vejo menos mulheres do que homens em posições de lideranças, e destas mulheres, muitas optam por não ter filhos para garantir melhor desempenho em suas atividades. Ledo engano. Das mães que vejo - vigorosas e dedicadas - eu tiro meu chapéu e afirmo: são estas que chegam ao topo, com garra e doçura, contrapontos típicos delas.

Por Adeli Sell
Vereador e Presidente do PT de Porto Alegre